quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Mini-Micro-Nanorreforma eleitoral

O Senado aprovou na última quarta-feira (20) projeto de lei que introduz mudanças pontuais na legislação eleitoral, chamada de minirreforma eleitoral, também chamada por alguns congressistas de “nanorreforma”.

O texto traz medidas que visa reduzir o custo das campanhas eleitorais, como a limitação de cabos eleitorais, fixando parâmetros para a contratação de militantes e mobilizadores de rua. Agora, a contratação de cabos eleitorais fica limitada a 1% do eleitorado em municípios com até 30 mil eleitores. Acima disso, será possível contratar uma pessoa a cada 1 mil eleitores a mais. Essa média é elevada conforme a relevância do cargo que está sendo disputado, ou seja, um candidato a presidente da República poderá contratar mais cabos eleitorais que um concorrente a deputado federal, por exemplo.

Foi mantida a proibição de doações por empresas ligadas às concessionárias de serviços públicos como é o caso de empresas de telefonia, coleta de lixo e distribuidoras de energia. Tanto os governos municipal, estadual e federal são os principais “sócios” de empresas concessionárias, pois recebem participações do lucro, em regras estabelecidas no momento da concessão. Da forma como foi aprovado inicialmente pelos senadores, estariam liberadas as doações de concessionárias de serviços públicos caso elas não fossem “responsáveis diretos pela doação”, ou seja, empresas sócias. Lembrando que doação de empresa concessionária já é proibida.
Na Câmara, essa possibilidade foi excluída, decisão que foi ratificada nessa quarta-feira pelos senadores. Está mantida, portanto, a legislação atual, que proíbe essas doações para evitar que empresas contratadas pelo Poder Público financiem candidatos do governo.

A minirreforma introduz também outras mudanças que para reduzir o custo das campanhas: limita gastos com alimentação a 10% da receita da campanha e, com combustível, a 20%; proíbe “envelopamento” de carros particulares com adesivos e veta pintura de muros, fixação de faixas, placas, aposição de cavaletes e bonecos em bens particulares; em vias públicas é proibida a veiculação de propaganda de qualquer natureza, inclusive pichação, inscrição a tinta, fixação de placas, estandartes, faixas, cavaletes e semelhantes.
Ficam permitidos apenas, para carros, adesivos de no máximo 50 por 40 centímetros, já no vidro traseiro continua permitido o adesivo microperfurado. É permitida a colocação de bonecos, mesas para distribuição de material de campanha e a utilização de bandeiras ao longo das vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos.

O projeto acaba com o chamado “candidato secreto”, pessoas que substituem candidaturas na véspera da eleição. Com a nova lei, a troca de candidatos só poderá ser feita até 20 dias antes das eleições. Acontece que candidato ficha-suja, ou que tem outro tipo de problema eleitoral, mantém a candidatura até o dia anterior à eleição, como não há tempo hábil para troca de foto e nome na urna, o eleitor votava em um pensando que estava votando em outro. Torna-se obrigatório a publicação de atas de convenções partidárias na internet em até 24 horas.

O texto ainda permite que políticos que receberam punição da Justiça Eleitoral parcelem a multa em até 60 vezes, desde que cada parcela não ultrapasse o limite de 10% dos seus rendimentos.

Com o projeto, quem cometer boca de urna poderá receber pena de prisão, pagar multa e ser processado. Atualmente, a prisão pode ocorrer, mas fica à cargo da autoridade policial que realizar o flagrante.

Manifestações em redes sociais não serão consideradas campanha e autor de ofensa nessas redes poderá responder civil e criminalmente. Além disso, o projeto autoriza realização de comício até a madrugada do dia das eleições.

Validade das regras
A ministra do TSE, Cármem Lúcia, ainda na condição de presidente da corte, já havia se manifestado pela validade das novas regras, uma vez que se trata apenas de regras administrativas - favor não confundir  reforma eleitoral, com reforma política.

Outras mudanças
O material de áudio e vídeo com os programas em bloco ou as inserções será entregue às emissoras com antecedência mínima de doze horas da transmissão; as inserções de rádio poderão ser enviadas por meio de correspondência eletrônica. Na veiculação das inserções é vedada divulgação de mensagens que possam degradar ou ridicularizar candidato, partido ou coligação.

A escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação sobre coligações deverão ser feitas no período de 12 a 30 de junho do ano em que se realizarem as eleições, lavrando-se a respectiva ata em livro aberto, rubricado pela Justiça Eleitoral, publicada em 24 horas em qualquer meio de comunicação.

É permitida a circulação de carros de som e minitrios como meio de propaganda eleitoral, desde que observado o limite de oitenta decibéis.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Virtude ainda hoje


Virtú (do Latim): Virtude, no sentido original da palavra, conceito grego pré-socrático, é justamente a capacidade do indivíduo (político) no controle das ocasiões e acontecimentos, através da vitalidade, força, planejamento, esperteza e a capacidade de se impor e profetizar. O político com grande Virtú vê justamente a possibilidade da construção de uma estratégia para controlá-la e alcançar determinada finalidade, agindo frente a uma situação, percebendo seus limites e explorando as possibilidades.
Como assim, os acontecimentos já não estão definidos? Não, e esse “não” é muito duro na realidade. Na política, sempre insisto, uma Ciência Humana e não Exata, acontecimentos ocorrem a todo momento, circunstâncias adversas  aparecem, pessoas mantém opiniões diferentes, cenário político, empresarial e social não é perpétuo. A Virtú está sempre analisando, portanto, não existe em abstrato, não existe em uma fórmula, ela varia de acordo com a situação.
Talvez, de uma má interpretação desse conceito que tem origem a visão maquiavélica de Maquiavel, responsável por introduzir a Vitrtú como condição necessária para reinar (governar). Sua frase mais lembrada, e replicada ao longo desses anos, foi que “os fins justificam os meios”, ao mesmo tempo se tornou uma frase proibida de ser falada, pensada e muito menos utilizar como referência.
Uma maior reflexão sobre tal deve ser empenhada, pois em uma determinada situação política que sofre influência de outras dimensões como a social, a econômica e a moral, cabe ao político com a sua capacidade de análise e de estratégia achar um meio perante essa conjuntura para realização de um fim. Afinal, essa realização provavelmente é de seu interesse, pensado no bem comum, na vida em comunidade, uma concepção própria de desenvolvimento e engrandecimento da sociedade.
Crer em um determinismo fatalista, é se opor ao pensamento político que pode sim e muitas vezes deve, mudar de acordo com a análise feita e identificação de fatores essenciais ao equilíbrio do governo.
Tomara que nossos governantes utilizem a Virtú como ponto referencial em suas ações políticas, tomara que percebam que somar forças e ideias não é perder sua base, sua força, seu conceito, tomara que sejam como o aço, firme e sólido em sua composição, mas maleável para tomar forma e sustentar qualquer projeto sem deixar de ser aço.
Hoje morreu Margaret Thatcher, criticada e elogiada pelo modelo neoliberal que aplicou na Inglaterra, que uma vez disse: “Um líder é alguém que sabe o que quer alcançar e consegue comunicá-lo”.
Um abraço!

(texto originalmente publicado em: http://protti.com.br/politica/?p=199)

Política pra que?


Quando o assunto é política muitos torcem o nariz, saem de fininho, dizem que é como futebol e religião: não se discute! Confundem que política se trata apenas de relação partidária e seus membros eleitos para cargos públicos. Querendo ou não, fazemos política do momento em que acordamos com um bom dia aos familiares, pelas atividades corriqueiras, até o momento de dormir.
Relacionamento, convívio, liberdade e consenso são alguns poucos exemplos do que compõem a arte e ciência política. Parte integrante da formação pessoal, aprendemos que a harmonia e equilíbrio se faz necessário para manter a nossa ligação em uma comunidade.
Fazer distinção entre a política praticada por nossos governantes, com a realizada por todos os cidadãos dia a dia, compromete a qualidade e o serviço prestado por àqueles que ocupam cargos representativos nas três esferas de Poder.
Pensemos numa casa com uma família na média brasileira, com seu orçamento financeiro (salários), seus investimentos (compra de algum bem ou serviço), suas obras (ampliação, melhoria ou decoração), saúde (exames, consultas e remédios), educação (básica, média e superior), entre tantos outros fatores presentes em um lar, bem como as pessoas que gerenciam algumas ou todas as funções para o equilíbrio doméstico.
Qual a diferença para uma Prefeitura ou Câmara Municipal? Por que em um lar funciona e quando se trata de um Governo, digamos, não funciona tão bem? A justificativa, dizem, é o tamanho, a complexidade e o número de pessoas que tem proporção bem maior que num ambiente reduzido, na comparação com a casa. Será mesmo?
Percebemos que a metodologia, aplicada numa residência, é parecida (pra não dizer igual) quando falamos em governar. Temos aí um bom motivo pra discutir política, já não se trata mais de algo distante, difícil ou inacessível. Todos nós fazemos política, e devemos continuar fazendo além de nossas relações sociais, para que os representantes possam ter o cuidado e espírito de servir nas decisões que atingem a vida de cada um.
Uma maior atenção é necessária da população para com seus governantes, principalmente que haja a discussão desde a formação escolar onde se cria o pensamento político/social, como diria o grande Paulo Freire: “se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.
Parece texto folclórico? Quando os governantes resolvem criar, do nada e sem explicações, taxas e impostos novos e há um movimento organizado da população contra esse abuso, qual é o final dessa história?
Que esta página possa contribuir para o engrandecimento do “pensar e discutir política”, e que todo cidadão e cidadã possa cada vez mais se interessar e ficar atento com as realizações, ou a falta, de sua cidade, pois esta se trata de uma simples extensão administrativa de cada residência.
Um abraço!

(texto originalmente publicado em: http://protti.com.br/politica/?p=174)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Vamos à onda do momento: Mensalão!


Evidente que é um marco na política nacional, políticos de alto escalão estão condenados em julgamento realizado pela mais alta corte deste país. Como diria meu pai: “Tem muito Ministro despejando vários engasgos ao longo desses anos!”.

Sinceramente sinto um pouco de exagero, principalmente quando envolve o linguajar jurídico, parecendo um misto de estrelismo com momento propício para holofotes, um teatro mal ensaiado com sua ordem e regra mantida a cada tom de voz.

Fora todo esse show, tenho que concordar que não há mais espaço na política brasileira pra qualquer tipo de corrupção, e quando digo qualquer tipo envolve desde o sistema eleitoral até o maior ato praticado por quem estiver na presidência da república, sem dúvida não podemos esquecer do judiciário e seus “pequenos” escândalos.

Fica claro que houve algum tipo de favorecimento para certos políticos, com uso de dinheiro público e/ou privado, e por acaso foi a primeira vez que isso acontece? Todos os que compartilham do mundo político ouve falar, vê ou conhece alguém que sabe que existe, infelizmente, mensalinhos e mensalões. Sim, é triste e revoltante, mas existe em pequenas cidades, estado e governo federal. As bancadas legislativas não são, sem generalizar, pessoas reunidas em um propósito, seus líderes não praticam a moral, prefeitos e governadores precisam (ou brigam) para aprovar seus projetos, e por vezes podem recorrer a outros meios que não a articulação e persuasão política.

Sim, sou a favor que todos os réus apontados no STF tenham as devidas condenações, se decidirem que há necessidade de cadeia, que assim seja, desde que observadas os méritos jurídicos para não cometerem crucificações. Não dá mais pra que político no Brasil esteja acima dos demais brasileiros, afinal estão a serviço da população, ou estamos errados?

Se há injustiças nos julgamentos, não saberemos, é o preço que alguns deverão pagar por seus sonhos e projeções de manter um poder não legítimo, pois o melhor modo de manter um governo é com apoio popular, e só. Felizmente o que se espera com esse longo julgamento, pois ainda renderá muito, é uma nova consciência política e democrática republicana do bom trato e cuidado com a Coisa Pública, com a elaboração de projetos e programas para o desenvolvimento de cidades até a nação toda.

Espero que político preso e condenado não seja coisa de ficção de novela e filme, assim como espero que os ditos agentes públicos e agentes políticos percebam que não cabe mais o velho jeitinho brasileiro, que ao longo dos anos sofreu aperfeiçoamento e quase que se institucionalizou no meio público. E não posso deixar de pensar que outros tapetes, com sujeiras escondidas, casos já denunciados pela imprensa, precisam e devem ser investigados e julgados, pois não é só uma corrente ou um partido que tem “problemas”.

Tenho amigos e conhecidos de diferentes lados, da direita e esquerda (se é que ainda exista isso), que me desculpe o pessoal da esquerda, mas não tenho nada pra me lamentar, assim como devem me desculpar o pessoal da direita, mas não tenho nada pra comemorar.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Os 10 Pecados Capitais Do Gestor Público


Sérgio Roberto Bacury de Lira*

Este artigo é resultado de uma palestra proferida para os alunos do Curso de Gestão de Órgãos Públicos da UNAMA, no último dia 22 de outubro, na disciplina ministrada pelo Prof. Lucival Teixeira. A temática abordada procura mostrar como os gestores públicos – aqueles que dirigem os órgãos públicos, indistintamente do grau hierárquico de sua função – ainda vêm se comportando e tomando as suas decisões gerenciais mesmo após a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/2000).
O tema procura fazer uma analogia, por um lado, aos princípios dos 10 mandamentos contidos na Bíblia, no sentido de que o não atendimento de qualquer um desses princípios levaria o homem a cometer um pecado e, por outro lado, à definição do que a religião entende por pecado capital – é assim chamado por dar origem a inúmeros outros pecados e se constitui na raiz de onde brotam vários outros vícios.
A idéia básica contida neste artigo é a de que uma adequada gestão pública tem que se apoiar nos seguintes pilares: planejamento, transparência, controle e responsabilidade. Estes também são os pilares que balizam a Lei de Responsabilidade Fiscal. Evidentemente que além desses princípios ainda é imprescindível que o gestor atue com ética, o que balizará o seu comportamento perante à sociedade que representa.
1º Pecado - O gestor público não programa as suas ações de forma planejada, mas sim as concebe no dia-a-dia, conforme a urgência de cada situação.
Qualquer ação requer planejamento, sob pena de não se alcançar a meta pretendida. No setor público isto é imprescindível, pois as demandas da sociedade em geral são maiores do que a capacidade de atendimento do estado. A Lei de Responsabilidade Fiscal trata esta questão de forma especial, obrigando o gestor público a adotar mecanismos que garantam efetivamente o exercício do planejamento. Para tanto, condiciona com que a ação pública seja planejada através dos seguintes instrumentos legais: o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Como esses instrumentos se transformam em documentos formais, inclusive exigidos pelos Tribunais de Contas, são elaborados de acordo com o que exige a legislação. Ocorre que por si só não garantem com que a ação pública seja efetivamente realizada de forma planejada. O que ocorre no dia-a-dia de um gestor público, principalmente na esfera municipal, é que a sua ação não é balizada ou apoiada no que está contido nesses instrumentos, ou então que a sua ação somente seja iniciada após a verificação de que a mesma faça parte da sua programação contida nesses instrumentos. O gestor público normalmente vai fazendo acontecer as coisas de acordo com o que está contido na sua cabeça ou dependendo da emergência da situação, e depois a sua área técnica ou o escritório de contabilidade é que dêem o jeito para enquadrar essas ações nesses instrumentos, de forma tal que pareça que foi programado antecipadamente de acordo com o espírito da lei, e que não dê motivos para punição por parte dos Tribunais de Contas.
2º Pecado - O gestor público não dá importância ao orçamento público, concebendo-o como entrave burocrático à sua administração.
Nenhuma pessoa consegue planejar e/ou efetivar seus gastos sem possuir um orçamento. Assim ocorre também no setor público. A legislação exige que para cada despesa a ser realizada ela tem que estar programada no orçamento. O orçamento, todavia, não se resume apenas à disponibilidade financeira que o gestor público possui naquele exercício, mas diz respeito à sua programação de trabalho. Hoje, não é mais possível iniciar novos projetos sem que estes estejam contidos no orçamento, da mesma forma que não se pode incluí-los no orçamento sem que o gestor comprove que isto não afetará a continuidade dos que já se encontram em andamento. Aliás, nada disto será permitido se o gestor não comprovar que a inclusão desses novos projetos não afetará também as despesas de manutenção e conservação do patrimônio público.
Por conta disso e de outras normas legais (como os limites mínimos de despesas em diversas áreas), o gestor público cria uma verdadeira aversão pelo orçamento. O orçamento nunca é visto como um instrumento que pretende organizar e facilitar a ação do gestor, mas sempre como um entrave à sua administração. Procedimentos necessários para que se ocorra a autorização de qualquer despesa no setor público, como a verificação de disponibilidade orçamentária e financeira, são vistos como burocráticos e desnecessários. O gestor público efetiva as despesas e somente após o recebimento das notas fiscais é que a contabilidade procede o seu empenho e a conseqüente inserção da mesma no orçamento. Em vez da despesa ocorrer na seqüência empenho-liquidação-pagamento, na prática ocorre na forma inversa: pagamento-empenho, deixando de ter sentido a fase da liquidação. E, algumas vezes, somente após isto é que se procede as suplementações orçamentárias. Isto ocorre sobretudo na esfera municipal, face a inexistência de um sistema que obrigue o cumprimento das fases da despesa. Se dependesse da vontade de alguns gestores públicos, o documento que contém o orçamento seria literalmente rasgado.
3º Pecado - O gestor público não gosta de descentralizar decisões, pois entende que isto significa perda de poder.
O fundamento básico de uma administração eficiente é que esta funcione de forma integrada, compartilhando decisões entre os seus membros, dado o princípio do planejamento estratégico. Na administração pública não se trabalha sozinho, decorrendo o resultado de qualquer ação governamental da ação coletiva de um conjunto de pessoas ou, no mínimo, de uma determinada equipe de trabalho. Ocorre que as decisões não são totalmente descentralizadas em sua estrutura hierárquica, visto que para o gestor público descentralizar significa transferir o poder da decisão para outrém, ou seja, significa perda de poder político.
Como, em geral, o gestor público procura garantir a sua sobrevivência através do poder político, ocorre que, além de normalmente as decisões políticas se sobreporem sobre as decisões técnicas, em inúmeras situações acaba o gestor concentrando também as decisões técnicas, dificultando a eficácia operacional da sua própria administração.
4º Pecado - O gestor público não investe em capacitação e nem tampouco busca as melhores referências profissionais. O seu foco é político e não técnico.
Uma administração eficiente precisa contar com os melhores profissionais. Um gestor precisa e deve compor a sua equipe de trabalho com pessoas que vão lhe ajudar tecnicamente da forma melhor possível. Existe um provérbio de que um administrador inteligente é aquele que compõe a sua equipe com pessoas mais inteligentes do que ele, pois isto lhe possibilitará assimilar mais conhecimentos.
O que ocorre, na prática, é que a maioria dos gestores públicos procura formar a sua equipe de trabalho a partir de um critério político e não técnico. Em geral, os gestores procuram abrigar nos cargos existentes pessoas que fazem parte do seu grupo político, não procurando trazer para a gestão pública as melhores referências profissionais existentes no mercado. Além do mais, não procuram investir em capacitação e reciclagem profissional, pois normalmente entendem que isto se constitui em despesa (desnecessária)  e não em investimento para a melhoria do atendimento do setor público. Como conseqüência, a administração pública evidencia-se ineficiente e sem compromisso com a qualidade dos serviços prestados à sociedade.
5º Pecado - O gestor público tem receio de ser transparente, pois teme ser questionado sobre as suas ações.
Com a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal, tornou-se obrigatório o exercício da transparência das ações desenvolvidas por qualquer gestor público. A gestão fiscal – controle das receitas e despesas públicas, deve ser acompanhada pela sociedade, devendo os gestores públicos disponibilizarem as informações relativas às receitas e gastos efetuados através de publicação e divulgação, inclusive por meio eletrônico.
Até a presente data são raros os casos de divulgação das informações fiscais por parte da administração pública. Em geral, no final de cada exercício são publicados relatórios resumidos de execução orçamentária, mas em uma linguagem técnica que nenhum leigo no assunto consegue entender. Na verdade, não há interesse dos gestores públicos em disponibilizar essas informações de forma desagregada e por períodos contínuos, pois isto permitirá com que os segmentos organizados da sociedade possam avaliar criticamente a sua administração. Em suma, os gestores não se esforçam para serem transparentes no trato da coisa pública.
6º Pecado - O gestor público não tem o hábito de socializar informações e de utilizá-las em sua estratégia de ação.
A informação é a base do conhecimento humano. Na gestão pública a informação é de fundamental importância para a tomada de decisões. Do ponto de vista técnico, tomar uma decisão sem que esta esteja balizada por informações acerca da situação, resultará em uma ação ineficaz. É como se fosse necessário ex-ante uma fotografia da situação, para que a partir de sua análise minuciosa sejam tomadas todas as decisões técnicas e/ou políticas.
Devido a falta de uma ação planejada, e às vezes em decorrência da deficiência técnica da equipe de trabalho, não são produzidas informações para a tomada de decisões na gestão pública. Em geral, não se produzem indicadores de avaliação e desempenho e, mesmo quando existem não são utilizados como parâmetros de condução da coisa pública. Isto dificulta o acompanhamento da gestão administrativa por parte da sociedade, pois as informações não são disponibilizadas nem tampouco socializadas para todos.
7º Pecado - O gestor público fica tentando inventar a roda, quando poderia aperfeiçoar e adequar para a sua realidade situações já existentes.
A demanda da sociedade por ações concretas do setor público em prol da melhoria da qualidade de vida exige, sobretudo, criatividade. A inovação e o aperfeiçoamento tecnológico é vital no setor privado, pois nesse setor o conhecimento e o domínio tecnológico condicionam a competição entre as empresas. No setor público, entretanto, não existe essa preocupação. Para os gestores públicos o importante é que existam condições concretas para que as ações efetivamente ocorram.
Todavia, nessa ânsia de fazer as coisas acontecerem e, principalmente, de serem inéditos em sua ação, não buscam conhecer e adequar para a sua realidade situações ou ações já implementadas em outros lugares e por outros administradores. Ou então, quando conhecem essas experiências, procuram não copiá-las ou adotá-las em sua administração, visto que isto poderia significar falta de iniciativa política. Por conta disso, ficam tentando inventar a roda, quando na maioria das vezes a roda já foi inventada.
8º Pecado - O gestor público ainda não acredita que será punido se cometer erros ou prejuízos à sociedade.
A Lei de Responsabilidade Fiscal introduziu novos conceitos na administração pública, principalmente no que diz respeito ao binômio probidade/eficiência. Em outras palavras, explicitou a necessidade de que a ação pública ocorra baseada nos princípios da moralidade, do combate à corrupção, e do alcance de resultados concretos. Para tanto, introduziu também mecanismos de punição para os maus gestores ou gestores ineficazes do ponto de vista administrativo.
Ocorre que mesmo depois da existência dessa Lei ainda predomina o sentimento da impunidade para o gestor público. Na prática, pelo simples fato de que cometer erros ou prejuízos à sociedade não leva ninguém para a cadeia, faz com que o gestor não se preocupe com a justiça, nem mesmo com os Tribunais de Contas. Além do mais, quando um político é reconduzido ao poder por meio do sufrágio universal mesmo depois de ser acusado publicamente por atos ilícitos, isto estimula e reforça o sentimento da impunidade, dificultando a existência de gestores com condução administrativa e política correta.
9º Pecado - O gestor público administra a coisa pública como se fosse uma administração doméstica e baseada em contabilidade de botequim.
A ausência de planejamento na gestão pública, assim como de decisões descentralizadas, de trabalho em equipe, e de outros procedimentos basilares de qualquer administração, faz com que o gerenciamento da coisa pública ocorra como se fosse uma administração doméstica. O gestor conduz o setor público como se estivesse gerenciando a sua própria casa, não vendo necessidade de prestar esclarecimento às outras pessoas, ou seja, à sociedade.
Por outro lado, por falta de planejamento e controle nas despesas públicas, e até mesmo por não utilização de, no mínimo, um cronograma de desembolso financeiro mensal, ocasiona com que a contabilidade seja igual a de um botequim, isto é, tudo que entra de receita sai automaticamente como despesa, incorrendo com que nos períodos em que a receita é menor surjam inúmeros problemas para a quitação de dívidas junto aos credores.
10º Pecado - O gestor público não se preocupa em ser responsável do ponto de vista legal, mas sim em ser eficiente do ponto de vista político.
A Lei de Responsabilidade Fiscal só permite que o gestor público não cumpra as determinações impostas para a contagem de prazos, os valores mínimos a serem investidos, o pagamento da dívida pública, o valor máximo permitido com a folha de pagamento de pessoal, o atingimento dos resultados fiscais e a limitação de empenho, quando ocorrer uma calamidade pública, estado de defesa ou de sítio. Não existindo essas situações, é dever do gestor administrar a coisa púbica com probidade, seriedade, competência e eficiência.
Todavia, o gestor público não está preocupado em ser responsável sob o ponto de vista da legislação, pois dentre outros motivos isto condicionará com que ele se sinta limitado e impedido de conduzir as suas ações da forma como deseja e age. A sua intenção é ser eficiente do ponto de vista político, pois atendendo aos apelos e à demanda manifestada por seus pretensos eleitores, garante-lhe a possibilidade de recondução e sobrevivência política.
A existência desses pecados capitais não incrimina o papel desempenhado pelos gestores públicos, da mesma forma que a existência de pecados na Bíblia não condena o ser humano a ser um eterno pecador. Na verdade, tanto lá quanto cá, a sua existência é a certeza da possibilidade de que a qualquer momento alguém poderá cometer um pecado. O gestor público, de espírito tão frágil como qualquer ser humano, sempre está propenso a cometer, pelo menos, um desses pecados. Aliás, quem já não cometeu algum desses pecados?  Portanto, qualquer semelhança não é mera coincidência.
__________________
(*) - Professor de Economia da UFPª, Doutorando em Economia, Diretor Regional Norte da Federação Nacional dos Economistas (FENECON) e recém eleito Conselheiro Efetivo do Conselho Federal de Economia (COFECON).

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Futuro, quando?


Gostaria de compartilhar com todos vocês, matéria de um jornal eletrônico de Goiás. Papel fundamental envolve a educação política nas escolas.

Infelizmente esse tipo de “educação” não é premissa de muitas escolas, quem dirá de um sistema educacional. Algumas preferem não usar o termo “política”, como se fosse uma palavra suja que não deve adentrar numa sala de aula, local inviolável do bom ensino.

Quando estava no Ensino Médio, sempre ouvia falar: “Os jovens são o futuro do pais!”; passou alguns anos, e o discurso se repetia. Poxa vida, esse futuro nunca chega? O futuro é agora, as ações de hoje se refletirão lá na frente, então o jovem precisa estar ciente desde já, concordam?

E não adianta falar que deve ser ensinado práticas cívicas nas escolas, essa não cola mais, cantar o hino nacional quase todo dia é bom, jurar a bandeira com seu hino também, mas estamos muito além desse patriotismo venerável.

Toda impulsividade de nossas crianças se traduz em boas sugestões, olhares críticos e de não conformidade com o famoso empurrar com a barriga, meta e objetivo concreto e vontade; elas não estão de brincadeira.

Tá na hora da moçada tomar conta do espaço de direito, como agentes construtores desse futuro breve.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Hierarquia, como?

Hierarquia é um direito de fato, normalmente conquistado por méritos, antiguidade ou até em alguns casos, herdada. No sistema hierárquico, os liderados devem confiar no líder e em suas qualidades; no entanto, os liderados podem em qualquer instante, colocar em xeque as táticas ou pensamentos do líder, cabendo a este explicar seus pontos de vista e conquistar a visão das pessoas em prol de seus métodos.

Seguindo a filosofia oriental, a hierarquia existe de forma cultural e social. Todas as ações tomadas dizem respeito sobre todo o grupo. Se um liderado comete um erro, esse não é isolado. Quem escolhe é o líder (hierarquia), se a pessoa num nível abaixo erra, quem está acima também errou, pois é a responsabilidade da escolha.

Percebe-se que não há atribuições de erro, ou todos acertam ou todos erram. E quando há acertos o devido reconhecimento é dado. O comprometimento envolve desde o pensamento do líder até o mais “baixo” liderado.  

Para implementar novas práticas, por exemplo, é necessário conquistar as pessoas de alta credibilidade na organização e envolvê-las, para que achem que também foram autoras da idéia. Também é preciso ter muito tato na hora de sugerir mudanças. Os comentários devem ser relacionados às boas práticas já existentes, para depois questionar sobre o que acham que deve ser mudado. Aí conquista-se o direito de propor algo. Essa é uma relação diplomática.

E no mundo ocidental, como funciona?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pitágoras - Mestre

Pra mim, serve como um puxão de orelha, lição de vida e acima de tudo me enche os olhos!!!


VERSOS DE OURO DE PITÁGORAS


1. Primeiro, adora os Deuses Imortais, como eles estabeleceram e ordenaram na Lei.

2. Reverencia o Juramento, e a seguir os Heróis, plenos de bondade e luz.

3. Honra igualmente os Demónios Terrestres prestando-lhes o culto que lhes é legalmente devido.

4. Honra igualmente os teus pais, e aqueles que te são mais próximos

5. De todo o resto da humanidade, faz teu amigo aquele que se distinguir pela sua virtude.

6. Ouve sempre as suas pacíficas exortações, e toma como exemplo as suas virtuosas e úteis ações.

7. Evita tanto quanto possível odiar os teus amigos por faltas insignificantes.

8. E compreende que poder é um vizinho próximo da necessidade.

9. Sabe que todas estas coisas são como as disse a ti; e habitua-te a superar e a vencer estas paixões:

10. Primeiro a gula, preguiça, luxúria e ira.

11. Não faças nada de mal, nem na presença de outros, nem em privado,

12. Mas acima de tudo, respeita-te a ti mesmo.

13. A seguir, observa a justiça nos teus atos e nas tuas palavras,

14. E não te habitues a comportares-te em todas as coisas sem regra e sem razão.

15. Mas considera, sempre, que é ordenado pelo destino que todos os homens morram,

16. E que os bens da sorte são incertos; e que como podem ser adquiridos, assim podem ser igualmente perdidos.

17. No que concerne a todas as calamidades que os homens sofrem pela divina fortuna,

18. Suporta, com paciência, o teu fado, seja ele qual for, e nunca te lastimes,

19. Mas esforça-te no que puderes corrigir.

20. E leva em consideração que o destino não envia a maior porção destas desgraças aos homens bons.

21. Há entre os homens muitas formas de raciocinar, boas e más;

22. Não os admires nem os rejeites com muita facilidade.

23. Mas se forem ditas falsidades, ouve-os com suavidade, e arma-te com paciência.

24. Observa bem, em todas as ocasiões, o que te vou dizer:

25. Não deixes que nenhum homem, seja por palavras, seja por atos, te seduza,

26. Nem te seduzas tu ao dizeres ou fazeres o que não for proveitoso para ti mesmo.

27. Informa-te e delibera antes de atuares, para que não cometas acções disparatadas,

28. Porque isso é próprio de um homem miserável: o falar e atuar sem refletir

29. Mas faz o que mais tarde te não afligir nem te causar arrependimento.

30. Nunca faças nada que não compreendas.

31. Mas aprende tudo o que tens obrigação de conhecer, e assim levarás uma vida feliz.

32. De nenhum modo neglicencies a saúde do teu corpo;

33. Mas dá-lhe bebida e comida na justa medida, e exercita, também, o que de tal tiver necessidade.

34. Por medida quero dizer o que te não incomoda.

35. Habitua-te a um estilo de vida simples e decente, sem ostentações.

36. Evita tudo o que suscitar inveja,

37. E não sejas perdulário sem motivo, como alguém que não sabe o que é decente e honroso.

38. Nunca sejas cobiçoso nem avarento; a justa medida é excelente nestas coisas.

39. Faz apenas aquilo que não pode ferir-te e pondera cuidadosamente antes de o fazeres.

40. Nunca permitas que o sono feche os teus olhos, depois de teres ido para a cama,

41. Até teres examinado, com a tua razão, todas as tuas ações do dia:

42. Em que é que eu errei? O que é que eu fiz? O que é que eu não fiz e que devia ter feito?

43. Se neste exame achares que fizeste mal, repreende-te severamente;

44. E se fizeste algo bom, regozija-te.

45. Pratica minuciosamente todas estas coisas; medita bem nelas; deves amá-las com todo o teu coração;

46. Elas irão pôr-te no caminho da virtude divina.

47. Eu o juro por aquele que passou para as nossas almas a Tetraktis Sagrada, a fonte da natureza, cuja causa é eterna.

48. Mas nunca deites mão a nenhuma obra antes de teres, em primeiro lugar, rogado aos deuses que aperfeiçoem o que vais começar.

49. Quando fizerdes disto um hábito familiar,

50. Conhecerá a constituição dos Deuses Imortais e dos homens.

51. Verás quão extensa é a diversidade dos seres e aquilo que os contém e os mantém presos;

52. Igualmente saberás que, de acordo com a Lei, a natureza deste universo é semelhante em todas as coisas;

53. Deste modo não terás de esperar o que não deves esperar; e nada neste mundo te será oculto.

54. Igualmente saberás que os homens lançam sobre si mesmos as suas próprias desgraças, voluntariamente, e por sua própria e livre opção.

55. Infelizes que eles são! Nem vêem nem compreendem que o seu bem está junto deles.

56. Poucos sabem como se livrar das suas desgraças.

57. Tal é o fado que prende a humanidade, e lhe rouba a consciência.

58. Como grandes ondas, rolam de um lado para o outro e oprimem-se com males inumeráveis.

59. Pois uma luta fatal, inata, persegue-os por toda a parte, sacudindo-os para cima e para baixo; nem eles percebem isso.

60. Em vez de provocarem e excitarem isso, deviam evitar isso tornando-se úteis.

61. Oh! Zeus, nosso Pai! Se não libertares os homens de todos os males que os oprimem,

62. Mostra-lhes de que demônios se devem servir.

63. Mas toma coragem; a raça do homem é divina;

64. A natureza sagrada revelar-lhes-á os mais recônditos mistérios;

65. Se ela te revelar os seus segredos, facilmente realizarás todas as coisas que te recomendei

66. E pela cura da tua alma, libertá-la-ás de todos os males, de todas as aflições.

67. Mas abstém-te de carnes que nós proibimos nas purificações e na libertação da alma;

68. Faz uma distinção justa das mesmas e examina bem todas as coisas.

69. Deixando-te, sempre, guiar e ser dirigido pela compreensão que vem do alto e que deve segurar as rédeas,

70. Quando, tendo-te despojado do teu corpo mortal, chegares ao mais puro Éter,

71. Serás um Deus imortal, incorruptível e a Morte não mais terá domínio sobre ti.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SABEDORIA DE AVÓ...

E-mail enviado pela amiga navegante Thais Helena Martins Veneri, sabedoria que ajuda a viver, afinal quem já não ficou horas ouvindos os casos de nossos vovôs e vovós. Segue...

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:

- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto:

- O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.

Por isso, vou colocar mais ou menos assim: É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.

E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação. Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.

Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes.

Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..." Tenha uma vida rica de vida.
Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.

Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.

Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável.

Porque, sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.

Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação.

Leia. Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão. Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza. Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

Isso vale para todos nós, pais, filhos, netos e amigos...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

"O que não Te destrói, Te fortalece!"

Hoje recebi um e-mail da amiga Léia Lima, com a imagem do ratinho, segue video abaixo de uma propaganda. E me faz pensar o quanto esquecemos lições tão básicas.

Por vezes somos testados, por outras pessoas, por nós mesmos, por situações adversas, mas se a estrutura estiver forte, pode até balançar, mas não cai. E se cair? Bom, primeiro que do chão não passa, e como diria a letra: levanta sacode a poeira e dá a volta por cima. Não me interessa quantas vezes você cai, mas sim a velocidade com que levanta.

Esse é o nosso legado, fazer a diferença. Criar situações que nos forcem a romper nossos próprios limites. Isto é o que nos torna humanos e dá sentido a nossa estadia por aqui. É a convicção de que podemos até fazer errado, mas na próxima a gente acerta.
 

domingo, 8 de maio de 2011

Jogando o Lixo Fora

Reflexão que pode ajudar alguém:

Um dia peguei um taxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando, do nada, um carro preto saiu de repente do estacionamento, direto na nossa frente. O taxista pisou no freio bruscamente, deslizou e escapou de bater noutro carro, foi mesmo por um triz! O motorista desse outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente.

Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável. Indignado, lhe perguntei: “Por que é que você fez isto? Este indivíduo quase arruína o seu carro, a nós e quase nos manda para o hospital?!?!” Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo de "A Lei do Caminhão de Lixo".

Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, de raiva, traumas e desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e, às vezes, descarregam sobre a gente. Nunca tome isso como pessoal. Isto não é problema seu, é deles. Apenas sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e vá em frente.

Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, EM CASA, ou nas ruas.

Fique tranqüilo, respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR. O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo com você. Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações. Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem.

A vida é dez por cento do que você faz dela e noventa por cento da maneira como você a recebe.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Retórica - Uma Arte?

Eu fico confuso, ao ver que pessoas que deveriam usar e abusar deste dom ou arte (como queiram), se prendem em pequenesas tão minúsculas que nem percebem suas conquistas escorrer pelos vãos entre os dedos.

É engraçado ver: tudo está ao favor próprio, mas por palavras erradas, frases dúbias, ofensa desnecessária, falta de lógica..., e lá se vai o tudo.

Esse que vos escreve, não é o melhor dos conhecedores de um arte de milhares de anos, a saber: Retórica. Um exemplo claro que me vem à memória, são as férias escolares, em especial as que passamos dias na praia.

É comum ver crianças sofrerem com as ondas, tirando o fato de tamanho ou força, a mania que os pequeninos têm é enfrentar a onda de peito aberto, dispostos a transpassar a força da natureza demonstrada no mar.

O que vemos são esses mesmos pequeninos, praticamente rolarem com um misto de areia remexida e água salgada espumante. Com a experiência, ou alertados por familiares/amigos, o melhor a fazer é pular por cima da crista, ou o melhor de todos, furar por baixo cada onda.

O mesmo se aplica, ao meu ver, na Retórica. Em uma situação que exija maiores detalhes e suas explicações, analisar qual o melhor meio de não enfrentar de peito, e analisar a melhor saída usando a línguistica e oratória, garante grandes chances de sucesso.

Abaixo, segue definição da enciclopédia livre.


Retórica (do latim rhetorica, originado no grego ῥητορικὴ τέχνη [rhêtorikê], literalmente a “arte/técnica de bem falar”, do substantivo rhêtôr, “orador” é a arte de usar a linguagem para comunicar de forma eficaz e persuasiva.

A retórica terá nascido no século V AC, na Sicília, e foi introduzida em Atenas pelo sofista Górgias (clique), desenvolvendo-se nos círculos políticos e judiciais da grécia antiga. Originalmente visava persuadir uma audiência dos mais diversos assuntos, mas acabou por tornar-se sinónimo da arte de bem falar, o que opôs os sofistas ao filósofo Sócrates (clique) e seus discípulos. Aristóteles (clique), na obra "Retórica", lançou as bases para sistematizar o seu estudo, identificando-a como um dos elementos chave da filosofia, junto com a lógica e a dialética. A retórica foi uma das três artes liberais ensinadas nas universidades da Idade Média, constituindo o "trivium", junto com a lógica e a gramática. Até ao século XIX foi uma parte central da educação ocidental, preenchendo a necessidade de treinar oradores e escritores para convencer audiências mediante argumentos.

A retórica apela à audiência em três frentes: logos, pathos e ethos. A elaboração do discurso e sua exposição exigem atenção a cinco dimensões que se complementam (os cinco cânones da retórica): inventio, a escolha dos conteúdos do discurso; dispositio, organização dos conteúdos num todo estruturado; elocutio, a expressão adequada dos conteúdos; memoria, a memorização do discurso e pronuntiatio, sobre a declamação do discurso, onde a modulação da voz e gestos devem estar em consonância com o conteúdo.

A retórica é uma ciência (no sentido de um estudo estruturado) e uma arte (no sentido de uma prática assente numa experiência, com uma técnica). No início, a retórica ocupava-se do discurso político falado, a oratória, antes de se alargar a textos escritos e, em especial, aos literários, disciplina hoje chamada "estilística". A oratória é um dos meios pelos quais se manifesta a retórica, mas não o único. Pois, certamente, pode-se afirmar que há retórica na música ("Para não dizer que não falei da Flores", de Geraldo Vandré: retórica musical contra a ditadura, clique), na pintura (O quadro "Guernica", de Picasso: retórica contra o fascismo e a guerra, clique) e, obviamente, na publicidade. Logo, a retórica, enquanto método de persuasão, pode se manifestar por todo e qualquer meio de comunicação.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Presidente Sem Caneta

Um vídeo no qual o Presidente tcheco, Vaclav Klaus aparece furtando discretamente uma caneta, durante uma coletiva de imprensa no Chile, foi divulgado pela própria rede de televisão pública tcheca, primeiramente.

Nas imagens, Klaus, sentado ao lado presidente chileno Sebastián Piñera (anfitrião), abre a caixa com uma caneta, examina-a cuidadosamente e, de forma discreta, põe as mãos debaixo da mesa, move-se brevemente, abotoa o paletó e volta a colocar as mãos, vazias, sobre a mesa.

Klaus justificou posteriormente sua ação dizendo que é "comum pegar a caneta durante um evento", informando que não se tratava de uma caneta de ouro, mas de uma simples caneta.

O Presidente chileno, Sebastián Piñera disse que a caneta foi um presente, tentando deixar o fato menos embaraçoso para Václav Klaus.

Poxa, será mesmo que ninguém iria perceber, numa coletiva de imprensa?!

E se o Presidente tcheco fosse brasileiro, como ele teria realizado a façanha?

Veja o video, abaixo:

Obs.: Será que por isso a classe política está desacreditada?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Cidadania

Algo que respeito muito na esfera pública, são os ESTATUTOS. Atos que regulam e ditam todos as regras com direitos e deveres, para que o "sistema" funcione corretamente. Conheço pessoas, no caso idosas, que carregam na bolsa ou agenda, na íntegra ou em partes, artigos para demonstrar o amparo legal que garantem seus privilégios.

Abaixo segue um relato, passado por e-mail, referente ao caso das fichas e seleção de cores para "identificar" a necessidade de cada paciente, quando da entrada num hospital. Deixo registrado, que eu mesmo já fui vítima dessas cores, e pra meu "bem", fiquei com a cor de maior espera. Após muita dor saí e fui pra outra instituição hospitalar.

Desabafo
Quando buscamos na história o conceito de cidadania encontramos que o mesmo deve ser entendido como DIREITO DE TER DIREIT0. Nós Brasileiros temos o conhecimento de nossos deveres até porque sempre nos é indicado que devemos observá-los e cumpri-los, mas quanto aos nossos direitos?

Temos aqui em São Roque um caso exemplar de falta de respeito a um estatuto, definido por Lei Federal: o estatuto do idoso. O pronto atendimento da Santa Casa não respeita o estatuto. Pois quando ali chega um paciente com 60 anos, ou mais, recebe a maldita fichinha na cor que o funcionário designar para ele e vai aguardar o tempo que acharem que é o “normal” no caso do idoso. Se por desventura o idoso pegar a fichinha azul, ai esta perdido, pois se aguentar vivo irá esperar de 4 a 5 horas, isto é se não tiver um AVC, pois como afirmo acima: vai da triagem (e uma simples dor de cabeça que é somente considerada sintomática, poderá esconder um acidente cerebral com sequelas que sabe DEUS, onde podera parar). Cabe agora perguntar: será que o pronto atendimento da Sta Casa de São Roque não está descumprindo uma Lei, quanto ao respeito para com os idosos e indo contra o estatuto do idoso?

Com certeza esta faltando cidadania e sobrando indiferença e desrespeito com a população, que paga religiosamente seus impostos!

Carlos Gomes

Conselheiro de saúde de São Roque


quinta-feira, 14 de abril de 2011

A CANÇÃO DE ADEUS DA ALMA

Este texto, que li há poucos minutos, tem tudo a ver com o dia de hoje: completa-se uma semana da morte de meu avô. Acredito que serve para todos os momentos, que demonstram a passagem de pessoas queridas, deste mundo, para o mundo invisível. Quase não sabemos deste outro "mundo", a idéia é sempre boa, e lá reencontraremos nossos queridos. Mas... não hoje.

Quando as últimas notas da Sinfonia do Verão se insinuarem pelo jardim, eu me prepararei para uma viagem. Fecharei o Livro das Horas e colocarei o meu lacre em cima com mão firme. Nunca mais desta janela verei a casta donzela oriental chegando, corada pelo sono, ou a esquadra desfraldando o Velocino Dourado, navegando para Oeste. Mas eu nunca os esquecerei; eles estão embalsamados no depósito da Memória; seus presentes estão preservados no santuário do Espírito. Não precisarei de nenhum ouro para a viagem: somente os tesouros do Amor, os primeiros frutos do Sacrifício. Se não os tiver, partirei de mãos vazias.

Nenhuma crença escrita em papel servirá como um passaporte: somente as Leis da Devoção – Pensamento Correto, Trabalho Correto – gravados pelo escultor da Vida nos pergaminhos do Coração. Eu deixarei aqueles que me amaram. Suas trêmulas palavras de adeus, guardarei com carinho no coração para sempre. Com minha mão sobre o trinco, sorrindo olharei para trás e lhes darei minha benção. A terra para onde viajarei não está distante. Embora eu me mude para um novo lar, ainda seremos vizinhos. A cerca que nos separa não é uma mata impenetrável; ela será trespassada pelas flechas do Amor desferidas por um desejo respeitoso. Eles ouvirão minha voz confortando-os na noite de suas aflições. Minha mão apertará as deles no leme quando eles navegarem por mares perigosos. E então, quando o Gongo da Noite tocar o amém para o Discurso do Tempo, eu abrirei a porta de par em par e irei para diante dentro da Aurora, cantando.

Como ficará cerrada e silenciosa a casa, depois da minha partida! Ninguém me verá ou ouvirá partir, salvo aqueles que têm visão. Com sandálias aladas como o Pensamento eu viajarei pela estrada. Levantarei meus olhos para as montanhas coroadas de glória. E lá, no final da viagem, alguém mais bela do que uma rosa, mais terna do que uma mãe, mais compreensiva do que os sábios, estará me esperando. Minha saudação, apenas estas palavras: “É você, Amor?” Em resposta, somente estas: “Venha! Sou eu!” Então, em silêncio, depois da busca, depois de arar, da semeadura, depois da vigília, dos lamentos, da esperança, para os campos da Colheita nós iremos de mãos dadas.”
Oliver Fox

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Desvendando o Marketing Político

O Marketing Político vem se consolidando cada vez mais como peça fundamental no processo eleitoral. Estes são as técnicas e conceitos mais modernos e eficazes, garantindo uma campanha estruturada, marcante e eficiente. Já existem alguns cursos sobre o tema, não precisando assim, alguém se aventurar num curso de Publicidade e Propaganda ou Marketing. Livros também são encontrados por aí, mas já aviso: precisa selecionar bem, ou então pedir dicas, comprar gato por lebre, nesse quesito, é fácil fácil.

Além da campanha eleitoral, temos também uma campanha de marketing político.

A eleição

É impossível pensar em eleições, nos dias de hoje, sem pensar numa estrutura de marketing atuando em todos os segmentos do eleitorado.

Propaganda eleitoral deixou de ser apenas o ato de imprimir alguns milhares de folhetos coloridos e “pichar” os muros da cidade com o nome do candidato.

As campanhas eleitorais deixaram de ser intuitivas e se tornaram racionais, os palpites gratuitos cederam lugar à pesquisa; os temas principais, com determinadas palavras-de-ordem, aparentemente corretas, mas aleatórias, agora têm origem em slogans com conceito e estratégia. Enfim: a propaganda política deixou para trás o amadorismo para se tornar profissional.

Comparando com campanhas de produtos e serviços: de um lado está o produto/serviço; do outro, o mercado consumidor (visão de marketing convencional). Na campanha eleitoral, de um lado o candidato e do outro os eleitores (marketing político).

O Marketing Político

Marketing Político são todos os recursos utilizados na troca de benefícios entre candidatos e eleitores.

Esses benefícios, no sentido candidato-eleitor seriam, essencialmente, as promessas, as vantagens do candidato e a sua linha de comunicação. No sentido oposto, ou seja, eleitores-candidatos, são os votos e as informações necessárias para obtê-los.

Alguns elementos compõem o quadro de planejamento de uma campanha de marketing político:

1. o meio ambiente em que se realiza a campanha eleitoral e que vai proporcionar oportunidades e ameaças ao sucesso de um candidato;

2. a administração da campanha eleitoral, que é a sua principal força de vendas, formada pelo próprio candidato, o seu partido político e os grupos de interesse alinhados com a sua candidatura;

3. o conceito de produto, que é a filosofia política do candidato, a escolha de temas específicos a serem tratados e a definição de suas posições a propósito dos temas. Além da formulação e da adoção de um estilo pessoal que conserve e amplie suas qualidades.

4. canais de comunicação e distribuição, que envolvem decisões e ações a respeito da utilização de mídia de massa e seletiva, aparições voluntárias, auxílio voluntário e partidário;

5. segmentos de eleitores diferenciados;

6. acompanhamento e revisão contínua e sistemática de resultados que impliquem em reorientação da campanha.

Além dos eleitores propriamente ditos, há outros grupos que precisam ser estimulados, tais como o partido político, os contribuintes da campanha eleitoral e os grupos de interesse alinhados à candidatura. Para isso, a Assessoria Política da campanha deverá canalizar de maneira adequada o seu potencial em função das necessidades imediatas.

O Candidato

O candidato obtém preferências com base:

* no seu nome

* no seu talento pessoal em dar início a uma reação emocional

* na sua habilidade em utilizar a mídia de massa

* na sua capacidade de se projetar.

1. Além disso, há todo um processo de desenvolvimento pelo qual o candidato deve passar;

2. apresentar uma personalidade bem definida. Como acontece com os produtos, uma imagem de qualidade;

3. ainda na comparação com o marketing de produtos, deve identificar-se com uma instituição que lhe dê apoio e credibilidade: a própria inscrição partidária;

4. definida a personalidade e colocada esta dentro de um contexto de organização (o partido), o candidato deverá impor a sua marca (o seu nome).

Em resumo, o candidato deve:

1. planejar formalmente a sua estratégia de campanha, sua postura diante dos problemas, sua propaganda, suas aparições, sua base para a obtenção de fundos, sua monitoria da situação, seus objetivos, sua alocação de recursos e o tempo de que dispõe para obter a aprovação dos eleitores;

2. construir uma forte organização de ações, capaz de reforçar, durante todo o processo, as posições assumidas durante a campanha eleitoral, sem que ocorra a perda de campos já conquistados.

O candidato e o partido

A importância do partido político no universo do candidato deve ser medida dentro dos seguintes parâmetros:

1. o partido está para o candidato como a empresa para o produto. Ele significa um sistema que detém um conjunto de recursos para atingir os eleitores. Assim, como não existe produto sem uma empresa que identifique a sua origem, não existe candidato sem partido;

2. o partido, então, pode ter uma imagem que acrescente ou subtraia. Por isso, é importante saber se o partido agrega imagem positiva ao candidato, assim como o nome de uma empresa de prestígio no mercado acrescenta prestígio a um produto.

Os componentes do marketing político

1. A Pesquisa de Mercado

A pesquisa de mercado procura descobrir o que vai ao encontro dos interesses do eleitor, identificando as suas necessidades, seus desejos e seus valores. Com isso, o candidato pode desenvolver estratégias com uma margem de erro muito menor.

Numa campanha eleitoral, devem ser pesquisados o tamanho do mercado e a sua segmentação, o que qualifica o eleitor, o potencial deste mercado com base em padrões históricos de voto, a opinião dos eleitores em torno de assuntos importantes e sobre posições assumidas.

O resultado da pesquisa pode determinar o próprio conteúdo da mensagem do candidato.

2. O conceito e a estratégia do candidato

O que vincula um eleitor a um candidato é a imagem deste último.

Esta imagem, mesmo quando já existente, pode ser planejada e trabalhada. Por outro lado, é preciso ficar atento a como o eleitor está percebendo esta mensagem. Isto precisa ser sistematicamente conferido.

A imagem planejada de um candidato deve conceituar adequadamente sua maneira de se vestir, suas maneiras, suas declarações e o conjunto das suas ações. O objetivo é que o candidato tenha uma aparência e um comportamento que correspondam à percepção e aos desejos do eleitor.

Para conceituar o candidato e definir sua estratégia:

* definir, com base em pesquisa de mercado, um tema para o candidato, em torno do qual o interesse do eleitor será construído.

* identificar os principais problemas e a maneira como são encarados e sentidos pelos eleitores;

* excluir os conceitos não desejados em razão da personalidade e dos antecedentes do candidato;

* testar o conceito escolhido através de pesquisas periódicas;

* decidir sobre a adoção de mais de um conceito, sendo um principal e outro, ou outros, secundários, desde que plenamente compatíveis.

3. Estratégia de Comunicação

O conceito do candidato é a base para o plano de comunicação da campanha.

Para um programa de propaganda paga ou gratuita, devem ser tomadas as seguintes providências:

1. definir a mensagem básica da campanha

2. definir a melhor maneira de apresentar visualmente o candidato;

3. definir as pesquisas que serão veiculadas;

4. definir os veículos adequados para a veiculação;

5. elaborar os programas orçamentários de produção e veiculação da campanha, que devem ser detalhados toda semana até a data de realização das eleições.

Paralelamente, deve ser desenvolvido um programa de aparições pessoais do candidato. Este programa deve ser controlado pela Assessoria Política.

É preciso ficar atento, neste programa, para as limitações de tempo do candidato. É bom lembrar que o candidato tem, ainda, a responsabilidade de motivar o partido, seus cabos eleitorais e os eleitores comprometidos com a campanha.

4. Programa de Trabalho Voluntário

Inúmeras pessoas devem ser treinadas para compor grupos de trabalho voluntário na campanha.

Entre as tarefas do trabalho voluntário estão as de preparação de eleitores e auxiliares, a participação como oradores para platéias específicas, o envio de malas-diretas, o levantamento e registro de votos, o transporte e alimentação dos eleitores no dia das eleições, entre muitas outras funções.

Para que a Assessoria Política consiga gerenciar bem o trabalho voluntário, deve:

1. valorizar o partido como centro de decisões;

2. estar sempre motivando os colaboradores;

3. estabelecer objetivos e metas para a equipe voluntária;

4. estabelecer um sistema de controle de realizações;

5. treinar o pessoal e acompanhar de perto o seu trabalho.

É evidente que somente com estes tópicos, retirado de um livro, não se vence e não se cria um candidato. Primeiramente a pessoa precisa ser arrojada, desinibida e com vontade política de sair por aí pedindo voto. Logo após alguns requisitos preenchidos, aí sim, necessário se faz um corpo técnico de pessoas capazes da colocar em prática certos aprendizados, que devemos concordar: não se aprende só na teoria, a prática ajuda e muito.

Àqueles que se interessam, grupos de estudos da área estão sendo formados, basta uma pequena busca na internet.