terça-feira, 8 de março de 2011

Burocracia não é bicho-papão

Um tema interessante, que diversas vezes tira a tranqüilidade das pessoas, irrita os mais calmos e é digno de vários xingamentos por outros, a saber: Burocracia.

O termo burocracia não tem o significado pejorativo de uso popular. Cabe a essa palavra um significado muito mais técnico que identifica certas circunstâncias da organização formal voltada exclusivamente para a racionalidade e para a eficiência.

Como fundador desta teoria, que compõem a estrutura de um planejamento governamental, temos como principal indutor, Max Weber, sociólogo alemão muito conhecido no âmbito das teorias que constituem Administração Pública.

O ideal de burocracia, segundo Weber, apresenta sete dimensões:

fornalização - todas as atividades da organização são definidas por escrito e a organização opera de acordo com um conjunto de leis ou regras que são aplicáveis a todos os casos individuais, sem exceção;

divisão do trabalho – cada participante tem um cargo ou posição definido com esfera específica de competência, com deveres oficiais, atribuições estritamente específicas e delimitadas;

princípio da hierarquia – a burocracia se assenta em uma hierarquia bem-definida de autoridade. Cada funcionário é submetido a ordens impessoais que guiam suas ações de modo a assegurar sua obediência. Cada funcionário tem apenas um único chefe. Daí o formato de estrutura piramidal da burocracia;

pessoalidade – o funcionário ideal tem desempenho impessoal no relacionamento com outros ocupantes de cargos. A burocracia utiliza os cargos e não as pessoas que os ocupam, pois as pessoas entram e saem da organização, mas os cargos permanecem;

competência técnica – a seleção e escolha dos participantes é baseada na competência e qualificação profissional dos candidatos e não em preferências de ordem pessoal. Daí a utilização de testes e concursos para preenchimento de cargos e para promoções. A burocracia é eminentemente meritocrática;

ação entre propriedade e administração – os recursos utilizados pela organização burocrática para a execução de suas tarefas não são propriedade dos burocratas. O dirigente ou o burocrata não é necessariamente o seu dono, mas um profissional especializado na sua administração;

profissionalização do funcionário – os funcionários da burocracia são profissionais, pois são especialistas em face da divisão do trabalho; são assalariados de acordo com suas funções ou posição hierárquica; seus cargos constituem a sua principal atividade dentro da organização; são nomeados pelo superior imediato; seus mandatos são por tempo indeterminado e seguem carreira dentro da organização.

Durante o passar dos tempos, percebeu-se que nem sempre o comportamento das pessoas ocorre dentro da previsibilidade, apontadas pelos tópicos acima. A isso, chamamos de disfunções da burocracia, que não entrarei em detalhe agora por merecer postagem a respeito.

Adianto que está aí a chateação que alguns têm com a Burocracia, ou seja, as conseqüências imprevistas, indesejadas, levando à ineficiência e imperfeições são as únicas responsáveis pelo sentido negativo que o termo apresentado adquiriu.

Como principal sugestão, indico que precisamos aprimorar ainda mais o profissionalismo dos servidores, somado a isto competência técnica e maior comprometimento pessoal, junte-se a isso uma boa gestão interna valorizando cada pessoa e seu trabalho, para então a máquina realmente funcionar como se deve.

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