quinta-feira, 14 de abril de 2011

A CANÇÃO DE ADEUS DA ALMA

Este texto, que li há poucos minutos, tem tudo a ver com o dia de hoje: completa-se uma semana da morte de meu avô. Acredito que serve para todos os momentos, que demonstram a passagem de pessoas queridas, deste mundo, para o mundo invisível. Quase não sabemos deste outro "mundo", a idéia é sempre boa, e lá reencontraremos nossos queridos. Mas... não hoje.

Quando as últimas notas da Sinfonia do Verão se insinuarem pelo jardim, eu me prepararei para uma viagem. Fecharei o Livro das Horas e colocarei o meu lacre em cima com mão firme. Nunca mais desta janela verei a casta donzela oriental chegando, corada pelo sono, ou a esquadra desfraldando o Velocino Dourado, navegando para Oeste. Mas eu nunca os esquecerei; eles estão embalsamados no depósito da Memória; seus presentes estão preservados no santuário do Espírito. Não precisarei de nenhum ouro para a viagem: somente os tesouros do Amor, os primeiros frutos do Sacrifício. Se não os tiver, partirei de mãos vazias.

Nenhuma crença escrita em papel servirá como um passaporte: somente as Leis da Devoção – Pensamento Correto, Trabalho Correto – gravados pelo escultor da Vida nos pergaminhos do Coração. Eu deixarei aqueles que me amaram. Suas trêmulas palavras de adeus, guardarei com carinho no coração para sempre. Com minha mão sobre o trinco, sorrindo olharei para trás e lhes darei minha benção. A terra para onde viajarei não está distante. Embora eu me mude para um novo lar, ainda seremos vizinhos. A cerca que nos separa não é uma mata impenetrável; ela será trespassada pelas flechas do Amor desferidas por um desejo respeitoso. Eles ouvirão minha voz confortando-os na noite de suas aflições. Minha mão apertará as deles no leme quando eles navegarem por mares perigosos. E então, quando o Gongo da Noite tocar o amém para o Discurso do Tempo, eu abrirei a porta de par em par e irei para diante dentro da Aurora, cantando.

Como ficará cerrada e silenciosa a casa, depois da minha partida! Ninguém me verá ou ouvirá partir, salvo aqueles que têm visão. Com sandálias aladas como o Pensamento eu viajarei pela estrada. Levantarei meus olhos para as montanhas coroadas de glória. E lá, no final da viagem, alguém mais bela do que uma rosa, mais terna do que uma mãe, mais compreensiva do que os sábios, estará me esperando. Minha saudação, apenas estas palavras: “É você, Amor?” Em resposta, somente estas: “Venha! Sou eu!” Então, em silêncio, depois da busca, depois de arar, da semeadura, depois da vigília, dos lamentos, da esperança, para os campos da Colheita nós iremos de mãos dadas.”
Oliver Fox

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