quarta-feira, 4 de maio de 2011

Retórica - Uma Arte?

Eu fico confuso, ao ver que pessoas que deveriam usar e abusar deste dom ou arte (como queiram), se prendem em pequenesas tão minúsculas que nem percebem suas conquistas escorrer pelos vãos entre os dedos.

É engraçado ver: tudo está ao favor próprio, mas por palavras erradas, frases dúbias, ofensa desnecessária, falta de lógica..., e lá se vai o tudo.

Esse que vos escreve, não é o melhor dos conhecedores de um arte de milhares de anos, a saber: Retórica. Um exemplo claro que me vem à memória, são as férias escolares, em especial as que passamos dias na praia.

É comum ver crianças sofrerem com as ondas, tirando o fato de tamanho ou força, a mania que os pequeninos têm é enfrentar a onda de peito aberto, dispostos a transpassar a força da natureza demonstrada no mar.

O que vemos são esses mesmos pequeninos, praticamente rolarem com um misto de areia remexida e água salgada espumante. Com a experiência, ou alertados por familiares/amigos, o melhor a fazer é pular por cima da crista, ou o melhor de todos, furar por baixo cada onda.

O mesmo se aplica, ao meu ver, na Retórica. Em uma situação que exija maiores detalhes e suas explicações, analisar qual o melhor meio de não enfrentar de peito, e analisar a melhor saída usando a línguistica e oratória, garante grandes chances de sucesso.

Abaixo, segue definição da enciclopédia livre.


Retórica (do latim rhetorica, originado no grego ῥητορικὴ τέχνη [rhêtorikê], literalmente a “arte/técnica de bem falar”, do substantivo rhêtôr, “orador” é a arte de usar a linguagem para comunicar de forma eficaz e persuasiva.

A retórica terá nascido no século V AC, na Sicília, e foi introduzida em Atenas pelo sofista Górgias (clique), desenvolvendo-se nos círculos políticos e judiciais da grécia antiga. Originalmente visava persuadir uma audiência dos mais diversos assuntos, mas acabou por tornar-se sinónimo da arte de bem falar, o que opôs os sofistas ao filósofo Sócrates (clique) e seus discípulos. Aristóteles (clique), na obra "Retórica", lançou as bases para sistematizar o seu estudo, identificando-a como um dos elementos chave da filosofia, junto com a lógica e a dialética. A retórica foi uma das três artes liberais ensinadas nas universidades da Idade Média, constituindo o "trivium", junto com a lógica e a gramática. Até ao século XIX foi uma parte central da educação ocidental, preenchendo a necessidade de treinar oradores e escritores para convencer audiências mediante argumentos.

A retórica apela à audiência em três frentes: logos, pathos e ethos. A elaboração do discurso e sua exposição exigem atenção a cinco dimensões que se complementam (os cinco cânones da retórica): inventio, a escolha dos conteúdos do discurso; dispositio, organização dos conteúdos num todo estruturado; elocutio, a expressão adequada dos conteúdos; memoria, a memorização do discurso e pronuntiatio, sobre a declamação do discurso, onde a modulação da voz e gestos devem estar em consonância com o conteúdo.

A retórica é uma ciência (no sentido de um estudo estruturado) e uma arte (no sentido de uma prática assente numa experiência, com uma técnica). No início, a retórica ocupava-se do discurso político falado, a oratória, antes de se alargar a textos escritos e, em especial, aos literários, disciplina hoje chamada "estilística". A oratória é um dos meios pelos quais se manifesta a retórica, mas não o único. Pois, certamente, pode-se afirmar que há retórica na música ("Para não dizer que não falei da Flores", de Geraldo Vandré: retórica musical contra a ditadura, clique), na pintura (O quadro "Guernica", de Picasso: retórica contra o fascismo e a guerra, clique) e, obviamente, na publicidade. Logo, a retórica, enquanto método de persuasão, pode se manifestar por todo e qualquer meio de comunicação.

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