segunda-feira, 8 de abril de 2013

Virtude ainda hoje


Virtú (do Latim): Virtude, no sentido original da palavra, conceito grego pré-socrático, é justamente a capacidade do indivíduo (político) no controle das ocasiões e acontecimentos, através da vitalidade, força, planejamento, esperteza e a capacidade de se impor e profetizar. O político com grande Virtú vê justamente a possibilidade da construção de uma estratégia para controlá-la e alcançar determinada finalidade, agindo frente a uma situação, percebendo seus limites e explorando as possibilidades.
Como assim, os acontecimentos já não estão definidos? Não, e esse “não” é muito duro na realidade. Na política, sempre insisto, uma Ciência Humana e não Exata, acontecimentos ocorrem a todo momento, circunstâncias adversas  aparecem, pessoas mantém opiniões diferentes, cenário político, empresarial e social não é perpétuo. A Virtú está sempre analisando, portanto, não existe em abstrato, não existe em uma fórmula, ela varia de acordo com a situação.
Talvez, de uma má interpretação desse conceito que tem origem a visão maquiavélica de Maquiavel, responsável por introduzir a Vitrtú como condição necessária para reinar (governar). Sua frase mais lembrada, e replicada ao longo desses anos, foi que “os fins justificam os meios”, ao mesmo tempo se tornou uma frase proibida de ser falada, pensada e muito menos utilizar como referência.
Uma maior reflexão sobre tal deve ser empenhada, pois em uma determinada situação política que sofre influência de outras dimensões como a social, a econômica e a moral, cabe ao político com a sua capacidade de análise e de estratégia achar um meio perante essa conjuntura para realização de um fim. Afinal, essa realização provavelmente é de seu interesse, pensado no bem comum, na vida em comunidade, uma concepção própria de desenvolvimento e engrandecimento da sociedade.
Crer em um determinismo fatalista, é se opor ao pensamento político que pode sim e muitas vezes deve, mudar de acordo com a análise feita e identificação de fatores essenciais ao equilíbrio do governo.
Tomara que nossos governantes utilizem a Virtú como ponto referencial em suas ações políticas, tomara que percebam que somar forças e ideias não é perder sua base, sua força, seu conceito, tomara que sejam como o aço, firme e sólido em sua composição, mas maleável para tomar forma e sustentar qualquer projeto sem deixar de ser aço.
Hoje morreu Margaret Thatcher, criticada e elogiada pelo modelo neoliberal que aplicou na Inglaterra, que uma vez disse: “Um líder é alguém que sabe o que quer alcançar e consegue comunicá-lo”.
Um abraço!

(texto originalmente publicado em: http://protti.com.br/politica/?p=199)

Um comentário:

  1. Belo texto!
    Porém, acredito que nossos governantes usam demais a Virtú. Contudo, talvez por falta de vigilância , o destino final – os fins – estejam errados.

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